Às vezes, nos sentimos os melhores, os mais importantes do mundo e com esse orgulho não percebemos que somos iguais a todos, e que estamos todos sujeitos a errar um dia.
Às vezes, estamos vivendo uma vida e achamos que somos felizes, mas com os nossos próprios atos tropeçamos e caímos.
Comigo foi assim, eu achava que era feliz, mas caí tropeçando no meu próprio erro. Hoje eu me encontro presa, mas isso não significa que sou pior ou melhor que os outros, estar preso não é vergonha para ninguém, é o simples fato de reconhecer que erramos.
Hoje reconheço os meus erros e encaro a prisão como uma segunda chance que Deus está me dando, a chance de acertar o passo e não errar mais, pois errar é humano, mas persistir no erro é burrice.
Estou presa, mas não me envergonho, pelo contrário eu me orgulho, pois aqui eu encaro tudo com mais responsabilidade e penso um milhão de vezes antes de fazer as coisas, pois não quero mais sofrer as conseqüências de um ato mal pensado.
Hoje me sinto mais que vencedora. Vencer em um presídio não é fácil, pois temos que conviver com vários tipos de pessoas, algumas se sentem melhores que as outras. Sem contar com a discriminação do mundo lá fora, pois muitos nos julgam como se fôssemos selvagens e alguns tem até medo de lidar conosco.
Mas eu declaro a todos que lerem esse jornal que é aqui, dentro de presídios, que estão as pessoas mais frágeis desse mundo, aqui existem pessoas solitários que se declaram através de poesias.
Aqui não está uma criação de animais, aqui estão sobreviventes de uma guerra entre o bem e o mal, pessoas que amam, sofrem, choram, sentem dor, têm medo. Aqui estão pessoas com sentimentos como todas as outras.
Todos nesta vida erram, mas talvez seja por falta de carinho e atenção, que cometem erros para verem se assim alguém se preocupa com eles. Se os outros parassem de julgar não existiriam tantos crimes no mundo.
O ser humano julga demais, mas não consegue entender que talvez o erro venha de um coração solitário, que chora por algo, que sofre, que luta, que tem medo, e que talvez com uma ajuda amiga, não seria capaz de errar.
Entenda que o preso não é um animal, o preso é gente como todo mundo, a única diferença é que estamos aqui privados de nossa liberdade, reconhecendo o nosso erro e tentando acertar, assim como temos sonhos de uma vida melhor e digna de ser vivida. Somos seres humanos que erraram, mas queremos acertar. Basta uma oportunidade para mostrar que somos capazes de mudar.
AGRADECIMENTO
Obrigado Sr. Carlos por não desistir de nós, e por nos apoiar na batalha contra a discriminação. Que Deus continue te abençoando cada vez mais
Agradeço a Deus por trazer o Sr. Carlos para ser o diretor deste Presídio, pois com ele aqui muita coisa mudou para melhor. É claro que ainda existem uns e outros que se acham melhores que os outros, mas o Sr. Carlos é enviado por Deus e tem nos ajudado muito, cada um tem que reconhecer isso.
Agradeço ao Jornal Recomeço pela oportunidade de poder expressar os meus pensamentos. Obrigado aos leitores.
( Detenta do Presídio de Cataguases)
Fonte: Jornal Recomeço - Fevereiro/2010