Fábio da Silva Cunha


Venho através desta informar algumas irregularidades absurdas que ocorrem no dia-a-dia do sistema prisional.

Vejo que não é um lugar digno de uma pessoa se regenerar. Aqui preso tem que comprar material hidráulico para poder ter água para banho e até lâmpada temos que comprar.
Além disso, temos em mente que muitos pagam cadeia além do prazo determinado e ficam vários meses, até anos para ser julgado e sem nenhuma assistência. Se não há assistência judicial não há também assistência dentária. Eles dizem que não tem como levar o preso ao dentista. No mais, tem pessoas que convivem no mesmo local com doenças transmissíveis como tuberculose, hepatite e não temos nenhum direito de exame, pois se formos de classe baixa (902) significa que não tem como pagar. Vivemos no local com capacidade máxima de 35 pessoas e, no entanto passa de 95 para cima. Hoje, dia 17-10-2008, temos 102 presos.
Peço às autoridades que revejam alguns desses conceitos. Todo ser humano merece alimento digno e saúde.
Este é o apelo de um detento que espera um mundo melhor, uma dignidade como ser humano.

Givaldo Silveira Coelho de Abreu

Tenho epilepsia, suplico minha transferência para Mogi da Cruzes, onde se encontra minha família e facilitaria o meu tratamento

Venho através destas pequenas linhas comunicar para Vossa Excelência que estou condenado nesta Comarca há dois anos e oito meses no regime aberto. Já estou pagando 4 anos. Venho lhe suplicar a minha transferência para a Comarca de Mogi da Cruzes - SP - onde se encontram os meus familiares, devido a minha doença que é a Epilepsia, pois lá facilitaria os meus medicamentos e o meu tratamento. Aqui fica tudo muito difícil para mim. Aqui deixo o meu apelo e espero obter uma resposta que possa me ajudar. De qualquer forma agradeço pela atenção.

Alice Paula de Azevedo

Esperamos uma resposta da justiça, porque já pagamos a nossa pena e temos filhos menores que dependem de nós

Venho fazer um apelo às autoridades desta Comarca. Eu, Alice Paula de Azevedo e Rubia Savia dos Santos vimos expor a nossa situação. Somos de Juiz de Fora e fomos condenadas a 2 anos no regime semi-aberto, no artigo 155. Já estamos pagando 7 meses de pena sem resposta nenhuma da justiça, não temos assistência de família e esperamos uma resposta da justiça, porque já pagamos a nossa pena e temos filhos menores que dependem de nós. Pedimos ao Senhor Juiz e à sociedade mais uma oportunidade para começar uma nova vida. Desde já agradecemos a Irmã Beth. Aguardamos uma resposta ansiosamente.

Fonte: Jornal Recomeço 149 - Novembro de 2008